terça-feira, 12 de abril de 2011

Realismo nos contos Machadianos

Um conto-síntese: "O Espelho"
Alguns contos de Machado revelam a peculiar inserção do escritor na literatura de sua época que, desgastada pelos exageros românticos, busca na objetividade e no aprofundamento psicológico uma forma de renovação. Em "O Espelho – Esboço de uma Nova Teoria da Alma Humana", classificado por alguns críticos como "conto-teoria", encontramos uma notável síntese da visão de mundo machadiana. Um bom exemplo é a passagem em que a personagem Jacobina expõe
a um grupo de cavalheiros sua concepção sobre a natureza
da alma:

"Em primeiro lugar, não há uma só alma,
há duas... Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha
de fora para dentro [...]".
Assim, à alma interior corresponderiam todos os nossos sentimentos, emoções e pensamentos mais íntimos e pessoais,
a subjetividade enfim; a alma exterior representaria o modo pelo qual interiorizamos a imagem que os outros fazem de nós. Para ilustrar sua concepção, o personagem narra uma história de sua juventude, tratando em essência justamente de um momento em que a alma exterior eclipsou a interior ou, nos termos do conto,
"O alferes eliminou o homem".

Anote!
Machado de Assis analisa as pressões sociais de que somos vítimas. Ele critica e, implicitamente, nos alerta para os riscos de desestruturação
da personalidade que o ser humano enfrenta
ao se desligar de sua existência interior. Em

"
O Espelho", o ato de "vestir a farda", ou seja,
de aderir integralmente ao papel social, tem caráter simbólico.
O conto "Teoria do Medalhão" desenvolve com muita ironia as mesmas questões levantadas por "O Espelho". O narrador cede seu espaço à reprodução do diálogo entre um pai e um filho que acabara de atingir a maioridade.

Anote!
O conto é, antes de tudo, uma lição a todo homem que almeja ter prestígio, ser reconhecido pela sociedade da qual faz parte e que elimina qualquer expressão da subjetividade em nome
da aderência ao senso comum, à opinião
da maioria, à superficialidade bem ornamentada das frases feitas.
O tom terrivelmente irônico da fala do pai revela, obviamente,
a denúncia feita pelo autor por trás do conto em relação a uma sociedade burguesa medíocre e arrogante, que prega o sucesso
a qualquer preço, mesmo à custa do empobrecimento da vida interior e das relações humanas.
Um conto-síntese: "O Espelho"
Alguns contos de Machado revelam a peculiar inserção do escritor na literatura de sua época que, desgastada pelos exageros românticos, busca na objetividade e no aprofundamento psicológico uma forma de renovação. Em "O Espelho – Esboço de uma Nova Teoria da Alma Humana", classificado por alguns críticos como "conto-teoria", encontramos uma notável síntese da visão de mundo machadiana. Um bom exemplo é a passagem em que a personagem Jacobina expõe
a um grupo de cavalheiros sua concepção sobre a natureza
da alma:

"Em primeiro lugar, não há uma só alma,
há duas... Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha
de fora para dentro [...]".
Assim, à alma interior corresponderiam todos os nossos sentimentos, emoções e pensamentos mais íntimos e pessoais,
a subjetividade enfim; a alma exterior representaria o modo pelo qual interiorizamos a imagem que os outros fazem de nós. Para ilustrar sua concepção, o personagem narra uma história de sua juventude, tratando em essência justamente de um momento em que a alma exterior eclipsou a interior ou, nos termos do conto,
"O alferes eliminou o homem".

Anote!
Machado de Assis analisa as pressões sociais de que somos vítimas. Ele critica e, implicitamente, nos alerta para os riscos de desestruturação
da personalidade que o ser humano enfrenta
ao se desligar de sua existência interior. Em

"
O Espelho", o ato de "vestir a farda", ou seja,
de aderir integralmente ao papel social, tem caráter simbólico.
O conto "Teoria do Medalhão" desenvolve com muita ironia as mesmas questões levantadas por "O Espelho". O narrador cede seu espaço à reprodução do diálogo entre um pai e um filho que acabara de atingir a maioridade.

Anote!
O conto é, antes de tudo, uma lição a todo homem que almeja ter prestígio, ser reconhecido pela sociedade da qual faz parte e que elimina qualquer expressão da subjetividade em nome
da aderência ao senso comum, à opinião
da maioria, à superficialidade bem ornamentada das frases feitas.
O tom terrivelmente irônico da fala do pai revela, obviamente, a denúncia feita pelo autor por trás do conto em relação a uma sociedade burguesa medíocre e arrogante, que prega o sucesso
a qualquer preço, mesmo à custa do empobrecimento da vida interior e das relações humanas.

 

Apostila de Texto-Realismo 9ºano




Tabela de conjunções adverbiais

Oração
Conjunções adverbiais
exemplos
Causal
porque, visto que, como, uma vez que, posto que, etc.
A cidade foi alagada porque o rio transbordou.
Condicional
se, caso, desde que, contanto que, sem que, etc.
Deixe um recado se você não me encontrar em casa
Conformativa
conforme, consoante, como, segundo, etc.
Tudo ocorreu como estava previsto.
Consecutiva
que (precedido de tal, tão, tanto, tamanho), de sorte que, de modo que, etc.
A casa custava tão cara que ela desistiu da compra.
Comparativa
como, que, do que, etc.
Ele tem estudado como um obstinado (estuda).
Concessiva
embora, a menos que, se bem que, ainda que, conquanto que, etc.

Embora tudo tenha sido cuidadosamente planejado, ocorreram vários imprevistos.

Final
para que, a fim de que, que, porque, etc.
Sentei-me na primeira fila, a fim de que pudesse ouvir melhor.
Proporcional
 à medida que, à proporção que, quanto mais...tanto mais, quanto mais...tanto menos, etc.
Quanto menos trabalho, tanto menos vontade tenho de trabalhar.
Temporal
quando, enquanto, logo que, assim que, depois que, antes que, desde que, etc.
Eu me sinto segura assim que fecho a porta da minha casa.

TEXTO 9ºANO

OS MELHORES CONTOS DE MACHADO DE ASSIS
TEORIA DO MEDALHÃO
O ESPELHO
UMA SENHORA
A CARTOMANTE
CANTIGA DE ESPONSAIS
O DICIONÁRIO

RESUMOS:
Análise do conto “O espelho” de Machado de Assis
Aquele que se vê no espelho é muito mais rico do que a imagem que ele vê. Essa imagem é a maneira como os outros o veem.
O conto tem como espaço físico Santa Tereza, um bairro bucólico de classe média no Rio de Janeiro onde, à época, residiam muitos funcionários públicos. Se passa no final do século XIX.
O texto começa com presença de ironia, que aparece no trecho que diz que os cavalheiros resolviam os mais árduos problemas do universo. Talvez por conta da sabedoria e hierarquia mantinham-se amigáveis. O “quatro ou cinco” deve-se ao fato do quinto cavalheiro estar calado, cochilando, mas é descrito como capitalista, inteligente, provinciano. O fato de não discutir justifica-se por seus princípios, mas ele mostra ser alguém que se coloca acima dos outros. Uma vez que diz que a discussão é “bestial”, compara-se aos Serafins e Querubins, que não se controvertiam eram a perfeição.
O pequeno diálogo mostra uma conversa dentre “cavalheiros”.
O personagem descrito como Casmurro monopoliza a conversa no meio da noite .
“Pensando bem...” já estavam na discussão sobre a alma.
Todos tinham uma opinião diferente.
Pedem a opinião da personagem, ele enfatiza que fará um discurso, de cunho performativo, e impõe que os outros fiquem calados.
Logo no início de sua afirmação sobre a existência de duas almas - e não uma só - reforça a ideia de que não admite réplicas e ameaça deixar o local caso isso aconteça.
A comparação do homem com a laranja é uma metáfora intrigante, já que a fruta, tipicamente brasileira, quando cortada ao meio parece o sol, podendo ser feita aí uma relação de sol – luz – conhecimento. A perda de uma das metades (almas) implica na perda de metade da existência e em alguns casos, a da existência inteira, explica citando o caso do judeu que perdeu seus ducados e sente-se morto devido a isso.
O cavalheiro explica ainda que a alma exterior não é sempre a mesma, e que não se refere a almas como de Camões, César e Cromwell que ele chama de exclusivas, possivelmente pelo fato de serem figuras que morriam pela pátria.
Exemplos de evolução do valor da alma exterior, digo evolução hierárquica, do menor para o maior. Quando cita a senhora cuja alma exterior muda constantemente de acordo com a estação e diz ser o nome dessa senhora Legião e parenta do demônio, parece referir-se aos seres que vendem a alma ao diabo, vendem a interior e vivem das mutações da exterior, já que a outra não mais lhes pertence.
O cavalheiro consegue fazer com que os quatro também cavalheiros esqueçam a controvérsia e atentem-se apenas aos seus relatos, prometendo um episódio ocorrido nos seus vinte e cinco anos.
A atenção na sala é apenas para as suas palavras e os olhares parecem contemplar um deus da sabedoria.
Começa a sua narração já deixando claro que era pobre e fora nomeado alferes da guarda nacional, relata o orgulho da família e o despeito de outros que almejavam o cargo de uma forma peculiar que nos leva a imaginar o ranger de dentes.
O título de alferes é mostrado de maneira sarcástica quando todos querem demonstrar sua satisfação, até mesmo a tia que o mantém no sítio, o abraça e exalta de forma exagerada, demonstrando dessa forma o valor que o ser humano dá ao “externo”. Esse valor é reforçado com a atitude de todos, que chamam-no de “O alferes”.
“Senhor Alferes” tinha deixado de ser o Joãozinho para eles, mostra aqui o valor de um título. O fato de ser o primeiro servido, o espelho que a tia havia colocado em seu quarto, embora velho, ainda poderia ser olhado como uma peça rica. O fato de o espelho ter sido retirado para compor o ambiente do Senhor Alferes e fazer parte da decoração da sala, além de ser a melhor peça ali exposta demonstra uma vez mais o valor dado ao exterior, no qual o ser humano está impregnado. Quando relata sua transformação e diz que o alferes eliminou o homem, entende-se que a alma exterior - que antes valorizava as coisas simples como “o olhar da moça” - passaria agora a matéria, possuindo valor apenas material. A parte materialista toma conta do ser, impregnando-o e dispersando a sua outra parte: laranja – sol – sabedoria. “O alferes eliminou o homem”.
A saída repentina da tia em viagem e os escravos aproveitando-se do momento oportuno para abandonarem a casa faz com que Jacobina fique abismada com toda sua solidão e os penosos dias angustiada pela repentina perda de sua alma exterior, uma vez que a interior se tornou dependente daquela. Deixa nítido o quanto os elogios e mimos haviam se tornado importantes para ele, que vivia agora do externo.
Permaneceu no sítio sem olhar-se no espelho, inconsciente. Receava encontrar-se em dois, quando decidiu olhar, espantou-se ao ver uma imagem difusa – a imagem refletida que não conseguia ver com nitidez parecia ser a interior mesclada a exterior, praticamente encoberta.
Decide vestir-se com a farda de alferes. Algo naquela imagem difusa o incomodava. Enquanto vestia-se, olhava em direção ao espelho, onde via sempre uma sombra, algo indefinido.
Quando termina de vestir-se e olha novamente para o espelho, que reflete o seu eu exterior integralmente, sente-se como se despertasse de um sono.
Ao narrar as sensações olhando-se no espelho, demonstra o quanto a alma exterior o preenchia, contando que conseguiu atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir, vivendo esses dias da sua alma exterior. Machado exprime a mascaração, ambiguidade e fragilidade do ser humano.
O fato de o conto terminar com a retirada de Jacobina da sala sem aguardar indagações reforça a ideia a respeito da personagem que despreza a discussão única e simplesmente pelo fato de desprezá-la, e mais: o ser humano aparece aqui como algo inacabado e que vive envolto de uma mascaração de aparência e sentidos.

Análise do conto “Teoria do Medalhão” de Machado de Assis
No conto “Teoria do Medalhão”, escrito por Machado de Assis e que faz parte do livro Papéis Avulsos, encontramos o diálogo após o jantar de comemoração dos 21 anos do filho nascido em 05 de agosto de 1854, ou seja, o dia da maioridade, do filho. A conversa começa as 11 horas. O pai pede para o filho deixar de denguices e fechar a porta para que tenham uma conversa sincera na qual falará de coisas importantes, então começa a elaborar as possibilidades do filho, nelas ele coloca algumas apólices, um diploma, e com isso o filho Janjão pode entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Mostrando as carreiras que ele poderá seguir. Mas enfatiza que, qualquer que seja a profissão da escolha do filho, o pai deseja que ele se faça grande e ilustre, ou pelo menos notável, que se levantes acima da obscuridade comum. O filho concorda com as acepções do pai e questiona que tipo de profissão ele aconselha. Sendo assim é aconselhado a ser medalhão, que teria sido o desejo do pai na mocidade e que não teve quem lhe orientasse e vai depositar no filho a esperança que este consiga. Janjão terá que conter os improvisos da idade para que quando chegar aos 45 anos possa entrar no regime do aprumo e do compasso. Ele questiona do pai porquê a idade de 45 anos, que lhe explica que o verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os 45 e 50 anos, alguns exemplos se dão entre os 55 e os 60; mas estes são raros. Há também de os 45, e outros mais precoces, de 35 e de 30; não são, todavia, vulgares. Diz não falar dos de 20 e 25, porque os mais jovens é um privilégio do gênio. Mas para ser medalhão deve-se ter cuidado com as idéias e o melhor é não tê-las, e se tivê-las é melhor escondê-las até a morte, o que não é exercício fácil, mas o filho é pobre de idéias e serve para o ofício. Se com a idade, surgirem idéias próprias, há meios para aparelhar o espírito e livrar-se delas e assim, enumera alguns desses meios para que seja possível brilhar. O filho questiona a expressão corporal necessária a certas profissões e o pai lhe responde que são necessárias e uma das posturas consiste de não andar sozinho, pois a solidão é a oficina das idéias, mesclamdo-se a multidão dissipa-se as idéias. Deve-se freqüentar bibliotecas de quando em quando para falar dos boatos do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa, de qualquer coisa, ou interrogar os leitores habituais das belas crônicas de Mazade; o resultado disso será a estima de 75% dos cavalheiros que irão repetir as mesmas opiniões monótonas, o que é saudável, pois em no máximo 2 anos se reduz as idéias ao equilíbrio comum, você se torna capaz de pensar o pensado. Será necessário apenas sugerir uma hipótese poupando os outros ao seu discurso prolixo. A profissão parece difícil ao filho, mas o pai alega que ainda não terminou, o medalhão não precisar pensar, basta realizar um jantar para os concidadãos e fazer seu nome aparecer em todos os lugares, não tomando nenhum partido e agradando a todos e será benquisto em todos os lugares, independente da filiação política ou do grupo a que pertençam, basta adotar discursos metafísicos e que não sejam invejáveis, nem originais, podendo empregar o riso, mas um riso misterioso e sem ironia, concluindo assim na hora da meia-noite a conversa e mandado o filho refletir sobre tudo.

Análise do conto “Uma senhora” de Machado de Assis
No conto Uma Senhora, o autor, Nachado de Assis, conta as dificuldades de uma jovem mulher, dona Camila, de aceitar a velhice, mostrando as artimanhas que faz, de maneira inconsciente, para evitar que a filha case, vendo só defeitos nos pretendentes. Até que, por fim, sem outro remédio, verga-se às imposições da vida, assumindo-se como avó enlevada.
Vale notar que D. Camila procurou atrasar ao máximo o amadurecimento da filha, tratando-a como criança e vestindo-a como menina até o momento em que não lhe foi mais possível.
No conto Uma Senhora, Machado de Assis espicaça os românticos e seus clichês quando descreve dona Camila: (...) os braços, que eu não digo que eram os da Vênus de Milo, para evitar uma vulgaridade.

Machado de Assis, neste conto põe de manifesto os tormentos de envelhecer para a alma de uma mulher vaidosa, D. Camila.
A protagonista, D. Camila, é casada e tem uma filha chamada Ernestina, esta apesar de já crescida tem a infância prolongada devido a vaidade de sua mãe que tinha verdadeiro pavor de envelhecer.Como não se pode deter o tempo, o que sucede é o curso natural da vida, onde Ernestina começa a arrumar pretendentes e a mãe muito "zelosa" põe defeito, em muitos, com a desculpa de querer um casamento como o dela. Certo dia D. Camila descobre o primeiro fio de cabelo branco e muito frustrada o arranca; assim outros fios brancos surgem sendo que o terceiro coincide com mais um pretendente da filha.
Depois de muito relutar acaba aceitando o genro, embora a contra gosto. Ernestina então casa-se, e com isso vem o primeiro neto pouco tempo depois; mãe antes preocupada com a filha, agora ocupa-se do bebê. Já na condição de avó começa a fazer passeios, acompanhada de uma preta, onde leva o pequeno e demonstra excessivos cuidados deixando transparecer que seria a mãe e não a avó do mesmo.
A narrativa que apresenta D. Camila aos 29 anos e a filha Ernestina aos 15, trata das questões do tempo em vários parágrafos, como no terceiro onde encontramos: "... trepando no alazão do tempo, foi alogar-se na casa dos trintas..." . Sempre parecendo mais nova dos 30 aos 40 anos, D Camila vê-se desesperada aos 42, diante do cabelo branco que torna-se um vilão na narrativa, já que afirma as mudanças físicas decorrida com o tempo; por isso, a beleza e juventude da filha faz surgir, nessa mãe, o sentimento de inveja, agora de forma assumida.


Análise do conto “O dicionário ” de Machado de Assis

O Dicionário - Machado de Assis

                (Páginas recolhidas)

                “Era uma vez um tanoeiro, demagogo, chamado Bernardino, o qual em cosmografia professava a opinião de que este mundo é um imenso tonel de marmelada, e em política pedia o trono para a multidão.” 

             O conto é bem curto e bem atual.

                Bernardino, fabricante de tonéis, concita  a multidão, depõe o rei, e sentando-se,  simbolicamente, no trono declara: “Eu sou vós, vós sois eu”

                Acalma a oposição com indenizações e títulos honoríficos. Adota um nome pomposo no lugar do  Bernardino. Encomenda uma genealogia condizente com nova posição.

                Baixa  decretos para igualar o visual da multidão naquilo que poderia constranger ou diminuir o seu rei e, ao mesmo tempo, para ensejar aos seus súditos que se parecessem com ele.

                Nomeia dois ministros, Alfa e Omega que,como os nomes indicam, dominavam as letras e logo descobrem nele uma vocação poética.

                Como todo rei deve se casar ele escolheu a bela Estrelada, com muitas qualidades e que  “mostrava-se fiel á dinastia decaída”.

                 Estrelada que já tinha o seu amado impõe um torneio democrático de madrigais em que o vencedor seria o escolhido.

                Aconselhado pelos ministros, o rei anula os torneios e modifica as regras varias vezes e, por último,  manda recolher todos os dicionários e os substitui por um vocabulário novo que, então, lhe daria a vitória.

Análise do conto “Cantiga de Esponsais” de Machado de Assis
Em 1813, na igreja do Carmo, Romão Pires regia a orquestra da festa, com alma e devoção. Ele era um velho de cabeça branca, bom músico, bom homem.
A missa cantada acabou, mestre Romão jantou e foi para casa, onde morava com pai José, um preto velho.
Tinha um cravo, para o qual tocava algumas vezes. Mestre Romão gostaria muito de ter o dom de compor músicas. Possuía dentro de si um mundo de harmonias originais, porém não conseguia exprimir no papel. Isso causava melancolia. Começou a compor um canto esponsalício, três dias de casado, em 1779. Sua mulher faleceu anos depois, e o canto nunca foi terminado. Mestre Romão adoeceu do coração, cinco dias após a festa. Pegou o canto guardado na gaveta, mandou trazer o cravo e tentou acabar a obra. Viu um casal pela janela. Reproduziu algumas notas, sem inspiração, impaciente, rasgou o papel escrito. Foi então, que ouviu a moça cantar para o marido, justamente com a nota musical que procurara anos sem achar. Ele ouviu triste e à noite morreu.

Análise do conto “Missa do Galo” de Machado de Assis
Missa do Galo nos relata o diálogo, numa noite de Natal, entre um jovem e uma senhora casada e traída pelo marido. A história é contada sob a ótica do jovem Nogueira, intrigado com a conversa, ao mesmo tempo banal e misteriosa, envolta num clima de sensualidade. Praticamente nada acontece objetivamente entre os dois, mas o autor parece nos querer dizer que, onde nada acontece, tudo pode estar acontecendo subjetivamente e, para que o percebamos, é preciso apurar os ouvidos e ler nas entrelinhas as marcas do desejo não-explícito.
Conceição, a personagem feminina do conto, é a típica mulher machadiana, de comportamento ambíguo, misteriosa. Leia um trecho da descrição da personagem: “Pouco a pouco, (Conceição) tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro.”
Entretido pela conversa, o jovem Nogueira quase se esqueceu do horário da missa a que esperava assistir. Durante a cerimônia, o rapaz não conseguia se concentrar, pensando na figura de Conceição. No trecho final, informa: “Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo ano-bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.” O contato entre o jovem ingênuo e a mulher madura, mais velha, vai ser retomado no conto Uns braços.
Comentários
Existem vários pontos que chamam a atenção na obra. Em primeiro lugar é o comportamento ambíguo de Conceição: à noite, mulher sedutora; no outro dia, discreta e indiferente aos acontecimentos anteriores. Em segundo lugar, o fato do narrador, Nogueira, não entender uma conversa ocorrida no passado, pois não consegue entender as mulheres. Outro ponto interessante é a atmosfera de sedução e erotismo: à noite, os dois sozinhos, e as situações que levam a este ambiente: o marido possui amante, deixa a esposa sozinha na noite de Natal. A ingenuidade do rapaz também nos chama bastante a atenção pois contrasta com a experiência da mulher que é quem domina as ações.
Personagens :
Nogueira - Estudante, 17 anos, ingênuo jovem do interior que vai ao Rio de Janeiro estudar preparatórios. Na ocasião, hospeda-se na casa de Meneses.
Conceição - 30 anos, sabia das traições do marido, porém nada fazia. Por essa atitude, era considerada “santa” pelo narrador-personagem. Típico exemplo de mulher machadiana, é a fonte das perturbações do protagonista.
Meneses - Escrivão; marido de Conceição. Fora casado com uma das primas de Nogueira. Tinha uma amante (dizia que ia ao teatro). Morre de apoplexia. Não aparece no conto: somente é citado.
Obs:São citadas também duas escravas e a mãe de Conceição, que dormia no momento da conversa entre os dois personagens.


GRAMÁTICA GLOBAL AC2 9ºANO

Exercícios
01-(PUCCAMP-SP) – “Nunca chegará ao fim, por mais depressa que ande”.A oração destacada é:
a) Subordinada adverbial causal.

b) Subordinada adverbial concessiva.     Obs: as conjuções:por mais que,ainda que e embora são concessivas

c) Subordinada adverbial condicional.

d) Subordinada adverbial consecutiva.

e) Subordinada adverbial comparativa

02- (UFPR) – “Julieta ficou à janela na esperança de que Romeu voltasse”.A oração em destaque é:
a) subordinada substantiva subjetiva.

b) subordinada substantiva completiva nominal.   Obs: nome+preposição=completiva nominal

c) subordinada substantiva predicativa.

d) subordinada adverbial causal.

e) subordinada adjetiva explicativa

03- Identifique e sublinhe a oração que possui valor de advérbio, e depois diga qual é o sentido que ela concede ao texto.
a. “Eu canto porque o instante existe, e a minha felicidade está completa” (Cecília Meireles).
Porque=causa
b. “Se você disser que eu desafino, amor, saiba que isso em provoca imensa dor” (Tom Jobim).
Se=condição
c. Tudo aconteceu como estava previsto na Bíblia.
Como=conformativa
d. A fim de que não te iludas, toma mais cuidado com os teus sentimentos.
Afim de =finalidade
e. “Queremos liberdade, ainda que venha tarde” (Cecília Meireles).
Ainda que=concessão
f. A mulher traída investiu sobre o marido feito um rojão.
Feito=comparação
g. “E tão mansa ela esmorece/ Tão lentamente no céu de prece/ Que assim parece toda repouso..” (Manuel Bandeira).
Tao que=consequencia
h. “Não permita, Deus, que eu morra/ Sem que eu volte para lá…” (Gonçalves Dias).
Sem que=condição
i. Segundo se dizia no passado, mulher que fala muito perde logo o seu amor”.
Segundo=conformidade
j. Quanto mais eu penso nela, tanto mais a odeio.
Quando mais=proporção
l. Desde que chegou, o moço só pediu um copo d’água.
Desde que=concessão
m. Embora eu saiba que estás iludida, tenho o dever de de contar-te a verdade.
Embora=concessão
04-Classifique as orações destacadas:
1. “Ficou ali , até que as sombras foram tomando conta das coisas”.
Oração subordinada adverbial temporal
2 “Como falavam muito alto, as pessoas se entendiam facilmente”.

Oração subordinada adverbial conformativa
3. “Continuaria a sustentar a Mocinha, contanto que ela procedesse direito, vivesse calma na gaiola e na moral.” (G. Ramos)
Oração subordinada adverbial condicional
4. À proporção que a escavação descia, a unidade ia-se acabando aos poucos.
Oração subordinada adverbial proporcional
5. Como não sabia falar direito, ia balbuciando expressões complicadas.
Oração subordinada adverbial causal
6 Fez-lhe sinal que se calasse.
Oração subordinada adverbial final
7. Como estava triste, isolou-se do grupo.
Oração subordinada adverbial causal
8. Tudo saiu conforme havíamos previsto.
Oração subordinada adverbial conformativa
9. O lavrador volta para casa quando o sol se põe.
Oração subordinada adverbial temporal
10. O investigador foi mais esperto que o ladrão.
Oração subordinada adverbial comparativa
11. Mentiram para mim, como pude constatar.
Oração subordinada adverbial conformativa
12. Semeie hoje para que colha bons frutos no amanhã .
Oração subordinada adverbial final

05-“Como perdeu o ônibus chegou atrasado à aula”. O valor semântico do advérbio “como”

a)condição
b)conformativa
c)causal
d)final
e)proporcional
06-Classifique as orações subordinadas substantivas.
a)É necessário que as coisas aconteçam.(      o.sub.substantiva      subjetiva                                                )
b)Convém que você estude mais . (      o.sub.substantiva     subjetiva                                                          )
c)Necessito de que você estude estas lições. (   o.sub.subst.objetiva indireta                                            )
d)A esperança é que tudo dará certo. .(  o.sub.subst.predicativa                                                                )
e)Tenho medo de que você não chegue a tempo.(o.sub.subst.completiva nominal                                    )

07-Classifique as orações coordenadas.
Chegou tarde, abriu a porta e saiu.
 o. coordenada assindética /o.c.assindetica/o.c.sidetica aditiva

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Professor de matemática,física e química.Aulas do ensino fundamental ao ensino médio Atendimento de segunda (das 9hs as 21hs) a sábado (das 9hs as até 12horas).

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