terça-feira, 12 de abril de 2011

Realismo nos contos Machadianos

Um conto-síntese: "O Espelho"
Alguns contos de Machado revelam a peculiar inserção do escritor na literatura de sua época que, desgastada pelos exageros românticos, busca na objetividade e no aprofundamento psicológico uma forma de renovação. Em "O Espelho – Esboço de uma Nova Teoria da Alma Humana", classificado por alguns críticos como "conto-teoria", encontramos uma notável síntese da visão de mundo machadiana. Um bom exemplo é a passagem em que a personagem Jacobina expõe
a um grupo de cavalheiros sua concepção sobre a natureza
da alma:

"Em primeiro lugar, não há uma só alma,
há duas... Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha
de fora para dentro [...]".
Assim, à alma interior corresponderiam todos os nossos sentimentos, emoções e pensamentos mais íntimos e pessoais,
a subjetividade enfim; a alma exterior representaria o modo pelo qual interiorizamos a imagem que os outros fazem de nós. Para ilustrar sua concepção, o personagem narra uma história de sua juventude, tratando em essência justamente de um momento em que a alma exterior eclipsou a interior ou, nos termos do conto,
"O alferes eliminou o homem".

Anote!
Machado de Assis analisa as pressões sociais de que somos vítimas. Ele critica e, implicitamente, nos alerta para os riscos de desestruturação
da personalidade que o ser humano enfrenta
ao se desligar de sua existência interior. Em

"
O Espelho", o ato de "vestir a farda", ou seja,
de aderir integralmente ao papel social, tem caráter simbólico.
O conto "Teoria do Medalhão" desenvolve com muita ironia as mesmas questões levantadas por "O Espelho". O narrador cede seu espaço à reprodução do diálogo entre um pai e um filho que acabara de atingir a maioridade.

Anote!
O conto é, antes de tudo, uma lição a todo homem que almeja ter prestígio, ser reconhecido pela sociedade da qual faz parte e que elimina qualquer expressão da subjetividade em nome
da aderência ao senso comum, à opinião
da maioria, à superficialidade bem ornamentada das frases feitas.
O tom terrivelmente irônico da fala do pai revela, obviamente,
a denúncia feita pelo autor por trás do conto em relação a uma sociedade burguesa medíocre e arrogante, que prega o sucesso
a qualquer preço, mesmo à custa do empobrecimento da vida interior e das relações humanas.
Um conto-síntese: "O Espelho"
Alguns contos de Machado revelam a peculiar inserção do escritor na literatura de sua época que, desgastada pelos exageros românticos, busca na objetividade e no aprofundamento psicológico uma forma de renovação. Em "O Espelho – Esboço de uma Nova Teoria da Alma Humana", classificado por alguns críticos como "conto-teoria", encontramos uma notável síntese da visão de mundo machadiana. Um bom exemplo é a passagem em que a personagem Jacobina expõe
a um grupo de cavalheiros sua concepção sobre a natureza
da alma:

"Em primeiro lugar, não há uma só alma,
há duas... Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha
de fora para dentro [...]".
Assim, à alma interior corresponderiam todos os nossos sentimentos, emoções e pensamentos mais íntimos e pessoais,
a subjetividade enfim; a alma exterior representaria o modo pelo qual interiorizamos a imagem que os outros fazem de nós. Para ilustrar sua concepção, o personagem narra uma história de sua juventude, tratando em essência justamente de um momento em que a alma exterior eclipsou a interior ou, nos termos do conto,
"O alferes eliminou o homem".

Anote!
Machado de Assis analisa as pressões sociais de que somos vítimas. Ele critica e, implicitamente, nos alerta para os riscos de desestruturação
da personalidade que o ser humano enfrenta
ao se desligar de sua existência interior. Em

"
O Espelho", o ato de "vestir a farda", ou seja,
de aderir integralmente ao papel social, tem caráter simbólico.
O conto "Teoria do Medalhão" desenvolve com muita ironia as mesmas questões levantadas por "O Espelho". O narrador cede seu espaço à reprodução do diálogo entre um pai e um filho que acabara de atingir a maioridade.

Anote!
O conto é, antes de tudo, uma lição a todo homem que almeja ter prestígio, ser reconhecido pela sociedade da qual faz parte e que elimina qualquer expressão da subjetividade em nome
da aderência ao senso comum, à opinião
da maioria, à superficialidade bem ornamentada das frases feitas.
O tom terrivelmente irônico da fala do pai revela, obviamente, a denúncia feita pelo autor por trás do conto em relação a uma sociedade burguesa medíocre e arrogante, que prega o sucesso
a qualquer preço, mesmo à custa do empobrecimento da vida interior e das relações humanas.

 

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Professor de matemática,física e química.Aulas do ensino fundamental ao ensino médio Atendimento de segunda (das 9hs as 21hs) a sábado (das 9hs as até 12horas).

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