segunda-feira, 6 de setembro de 2010

CONSUMISMO E DROGAS

Temos enfrentado no nosso dia-a-dia, com perplexidade, a dura realidade dos tempos pós-modernos, que é o consumismo aliado ao conceito de felicidade e de identidade.
E o que vem a ser isso? É cada vez mais crescente escutarmos jovens e adultos que, em suas vidas esvaziadas, sem sentido, falam que, para ser felizes, precisam ter algo: o último celular, a TV digital, o carro zero da marca tal, a roupa da marca "y"... o Ser não está em pauta, e sim o Ter.
Pessoas que a cada dia entram em uma roda viva de trabalho, sem qualidade de vida, para ter e ter. O mundo dita as regras e obedecemos cegamente, sem contestar, sem questionar.
O que você tem, define quem você é, inclui-o nas rodas de amigos, o faz amado e acreditamos nessa lógica irreal. Quantas e quantas vezes escutamos dos jovens: "...mas todo mundo tem, se eu não tiver... Todo mundo vai... se eu não for...". O mundo foi se configurando depois da revolução industrial em uma sociedade voltada para o consumo e o qual foi tomando conta da autoestima e da autoimagem das pessoas.
Sabemos que a autoimagem é uma forma como a pessoa percebe o seu "eu", como se aceita, e não está separada da história de vida de cada um, da questão social. Vivemos em uma sociedade ditada pelo mercado e as pessoas refletem, portanto, esse mercado de consumo.
o mercado, todos os dias, cria moda e retira moda, os bens duráveis não fazem mais sentido, pois estamos na sociedade do descartável, do fast food, tudo é muito rápido, o mundo é globalizado, virou um só, as pessoas se deslocam com facilidade e rapidez, se comunicam mais rápido ainda. O mercado está construindo identidades, ditando o conceito de felicidade.
De acordo com Debord, vivemos na "sociedade do espetáculo", todo mundo quer ser celebridade, uma total alienação social em que a economia se tornou um fim e não o meio, no qual o dinheiro dita as regras e o indivíduo é obrigado a submeter-se totalmente.
O mercado tem até dez mandamentos, segundo Dufor, e tudo deve ser de acordo com esse deus: o mercado. Que manda, que determina, aniquila as pessoas. As pessoas não têm mais história, não são mais responsáveis pelos seus atos, por suas escolhas, o descompromisso reina, os valores estão distorcidos.
O que importa é a ascensão social, o vencer fácil, o desejo de subir a qualquer preço, o interesse, a flexibilidade de conceitos, o utilitarismo, o consumo e o reconhecimento dos outros: você é alguém que tem fama, beleza exterior, dinheiro, etc.
Tudo deve ser para o consumo, não importa os meios, sim os fins. Junto com tudo que é consumível vêm as drogas, que também são um produto a ser consumido, faz parte do mercado.
As pessoas precisam se anestesiar da dor da existência, não se pode sofrer, pois o importante é ser feliz e a dor não faz parte dessa suposta existência feliz. "O que faz você feliz..." como dita o comercial e as propagandas que todos os dias entram por nossas portas sem pedir licença: compre, compre, compre. O que fazer quando o Ter é mais importante que o Ser? Quando não se perde mais tempo pensando, ou se autoconhecendo? E a anestesia existencial vem como algo a ser consumido, como tudo na lógica do mercado. Toma-se um remédio ou uma droga, o primeiro, faz parte da industria dos psicofármacos que é um mercado cada vez maior, e o segundo, do tráfico de drogas que também move trilhões.
Existe também o outro lado da moeda, aqueles que encontram na droga uma forma de "ascensão social", de poder consumir o que os outros, os mais favorecidos, também consomem. A droga acaba por fazer uma suposta distribuição de renda dentro de uma sociedade desigual, criando também a possibilidade de consumo das classes menos favorecidas, um dinheiro supostamente mais fácil e mais rápido, como tudo dentro do imediatismo social no qual estamos mergulhados.
Tudo gira em torno de uma fascinação por consumo, por ter, por objetos que são maiores e mais importantes que o "eu" e o Ser. É uma verdadeira inversão, não escolhemos os objetos, eles nos escolhem, como posso ter e usar isso ou aquilo, sou assim.
O consumo de drogas e de remédios psicotrópicos é apenas a ponta de um iceberg de uma sociedade que precisa ser repensada por todos. Não podemos combater as drogas e as "depressões" humanas agindo de forma individual. Vemos todos os dias pais desesperados, com filhos entrando no mundo das drogas; jovens que encontram nas drogas uma forma de gritar para o mundo que existem, que são pessoas; indivíduos que mais e mais tomam remédios para depressão, síndrome do pânico, transtorno bipolar, sem saber quem são, ou que sentido tem a vida, muitas vezes não mais sua.
O grande perigo é a crise de sentido em que a sociedade está inserida, que pode fazer com que as pessoas não acreditem no futuro e na humanidade. Talvez essa falta de sentido e de esperança levem as pessoas às depressões, às drogas, ao consumismo, ao narcisismo e ao individualismo.
Faz-se necessário pensar, questionar, ser voz ativa dentro de uma sociedade em que a cultura é a do mercado e do consumo. Temos que ser intelectuais ativos social e coletivamente, fazendo parte da contracultura que possibilita ser um contraponto a essa lógica perversa na qual estamos imersos.
É preciso, urgentemente, visualizar as questões de políticas públicas e o direito à vida e à dignidade humana como parte dessas discussões, não dá mais para trabalhar o homem sem trabalhar o mundo que o rodeia, não tem mais como separar algo que está intrinsecamente ligado.

Margareth Castro de Oliveira. (Gestora escolar e Psicopedagoga-EVOLUTIVO COLÉGIO E CURSO-CE)

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